A tokenização de ativos do mundo real deixou de ser um experimento isolado. Segundo a pesquisa de 2026 da Coinbase e EY-Parthenon com 351 investidores institucionais, 64% dos asset managers demonstraram forte interesse em tokenizar seus próprios ativos este ano, contra 40% no ano anterior. Dentro desse crescimento, o crédito privado (empréstimos, faturas, instrumentos de dívida) é a categoria que mais cresce.
O motivo é simples. O crédito privado tradicional opera com processos fragmentados: originação, gestão de pagamentos, conciliação e registro costumam estar dispersos em sistemas diferentes, o que encarece e retarda tudo. Tokenizar esse crédito significa colocar esses processos sobre uma infraestrutura programável, com transparência e liquidez que antes não existiam para esse tipo de ativo.
Por que o crédito privado é a categoria de RWA que mais cresce
A América Latina tem o cenário ideal para essa categoria decolar. As PMEs da região ainda enfrentam spreads de crédito altos e acesso limitado a capital institucional, em grande parte porque os bancos tradicionais não conseguem avaliar nem gerenciar esse risco de forma eficiente em escala.
O problema de base na América Latina
Isso não é um problema novo. O novo é que agora existe a infraestrutura para resolver isso de outra forma: em vez de depender exclusivamente da banca local, um originador pode tokenizar uma carteira de faturas ou empréstimos e abrir esse ativo a investidores globais, com as condições de pagamento automatizadas on chain.
Como funciona a tokenização de crédito privado
Em termos simples, o processo tem quatro etapas:
- Originação: um originador (fintech, empresa de factoring, entidade de crédito) gera o ativo subjacente, seja um empréstimo, uma fatura ou um instrumento de dívida.
- Tokenização: esse ativo é representado como um token que reflete seu valor, suas condições e seu cronograma de pagamento.
- Distribuição: o token é oferecido a investidores qualificados, ampliando o universo de quem pode financiar esse crédito além do círculo bancário tradicional. Esse é o mesmo mecanismo que está reconfigurando a distribuição de ativos tokenizados em toda a região.
- Pagamento e liquidação: os pagamentos de juros e principal são automatizados via contratos inteligentes, reduzindo o risco de contraparte e o trabalho administrativo manual.
O que muda para originadores e investidores
Para um originador, tokenizar sua carteira de crédito significa acesso a um pool de capital muito mais amplo do que consegue localmente, além de uma redução real nos custos operacionais de gestão dessa carteira. Para um investidor, significa visibilidade sobre o desempenho do ativo em tempo real, algo que o crédito privado tradicional quase nunca oferece.
Conversamos sobre esse tema em profundidade no Twin Meets x El Dorado, com Guillermo Goncalvez, CEO da El Dorado. Assista ao episódio completo aqui.
O que ainda falta resolver
Ser honesto sobre o estágio da categoria faz parte de entendê-la bem. Ainda há perguntas em aberto: os marcos regulatórios para crédito tokenizado variam muito de país para país, os padrões de custódia de ativos que representam dívida real ainda estão se padronizando, e a maioria das plataformas está em estágios iniciais de adoção institucional. A categoria está amadurecendo rápido, mas ainda não está resolvida.
Perguntas frequentes
O que é a tokenização de crédito privado?
É o processo de representar instrumentos de dívida (empréstimos, faturas, linhas de crédito) como tokens digitais, o que permite automatizar sua gestão, distribuição e pagamento sobre infraestrutura blockchain.
Qual a diferença em relação a um empréstimo tradicional?
O ativo subjacente é o mesmo (uma obrigação de pagamento), mas seu registro, distribuição a investidores e liquidação de pagamentos ocorrem on chain, com mais transparência e menos intermediários.
Por que isso é relevante para a América Latina?
Porque a região tem uma lacuna de crédito significativa para PMEs, e a tokenização permite conectar esses originadores a capital institucional global que antes não tinha como acessar esse tipo de ativo.
É uma tendência nova?
Não é nova como conceito, mas 2026 é o ano em que passou de pilotos isolados para implantações em maior escala, impulsionada por maior clareza regulatória e amadurecimento da infraestrutura de custódia.
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